
O corpo de palavras
O corpo de palavras é o poema e o conto e a crônica e o romance.
O corpo de palavras. A palavra serpenteia, ondeia, se insinua e, nua, causa alvoroço no poeta, no romancista, enfim…
A palavra e o corpo. O corpo de palavras por si só basta. E afasta.
E afasta as coisas e o mundo e a realidade. Pensa ser real. Quer se aproximar do real. Mas não é. É corpo.
Corpo de palavras que se fazem e se desfazem e se querem e se afastam.
E afasta.
E por si só bastam. Basta a palavra.
O corpo de palavras é o ruído e a canção antiga e o bolso furado e o vento e a tempestade e o mar. As ondas e o mar e a palavra. As palavras. O corpo de palavras. O corpo apenas: só, mudo, nu, translúcido…
E os dedos que se manifestam no momento da escrita seguram forte a pena e colorem, descrevem, enriquecem, dão forma a um mundo.
Eu sou um corpo de palavras.
Eu sou um mar de palavras. Eu sou um céu de palavras.
E escrevo em mim e navego em mim e voo em mim. Uma escrita inteira, uma viagem entre os vagalhões e um risco no ar.
O corpo de palavras basta e afasta e arrasta tudo e todos.
E engole a si mesmo para, em seguida, fazer novo mundo, fazer novas as coisas, fazer novo corpo.
E sou eu que me refaço no instante da escrita.
Continuamente…























